Aula 9: Linear smoothers

Data: 03/09/2026.

Leitura: Wasserman (2006), Capítulo 5.

Regressão não-linear

Definição (Modelo de regressão não-paramétrica). Sejam \((X_1, Y_1), \ldots, (X_n, Y_n)\) i.i.d., com \(X_i \in \mathbb{R}^d\), \(Y_i \in \mathbb{R}\) e \(\mathbb{E}[Y_1^2] < \infty\). A função de regressão é

\[r(x) = \mathbb{E}\left[Y_1 \mid X_1 = x\right].\]

Escrevendo \(\varepsilon_i = Y_i - r(X_i)\), obtém-se

\[Y_i = r(X_i) + \varepsilon_i, \qquad \text{com} \qquad \mathbb{E}\left[\varepsilon_i \mid X_i\right] = 0.\]

Supõe-se também que \(\mathbb{V}[\varepsilon_i \mid X_i] = \sigma^2\). O modelo é não-paramétrico quando se supõe apenas que \(r\) pertence a uma classe de dimensão infinita, como a classe de Hölder \(\Sigma(\beta, L)\) da Aula 7, em vez de uma família indexada por um número finito de parâmetros.

Observação. Os estimadores desta aula são analisados condicionalmente a \(X_1, \ldots, X_n\). Condicionalmente, \(\varepsilon_1, \ldots, \varepsilon_n\) são independentes, com média \(0\) e variância \(\sigma^2\).

Revisão de regressão linear

Definição (Modelo linear). Nesta seção, \(X_i \in \mathbb{R}^p\) e a primeira coordenada de toda covariável é igual a \(1\), o que inclui o intercepto no modelo. O modelo linear supõe que existe \(\beta \in \mathbb{R}^p\) tal que \(r(x) = x^T\beta\). Em formato matricial,

\[\mathbf{Y} = \mathbb{X}\beta + \boldsymbol{\varepsilon},\]

em que \(\mathbf{Y} = (Y_1, \ldots, Y_n)^T\), \(\boldsymbol{\varepsilon} = (\varepsilon_1, \ldots, \varepsilon_n)^T\) e \(\mathbb{X}\) é a matriz \(n \times p\) cuja \(i\)-ésima linha é \(X_i^T\).

Suposição (A1). \(\mathbb{X}\) tem posto \(p\). Em particular, \(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\) é invertível.

Lema 1 (Mínimos quadrados). Sob (A1), o único minimizador de \(\beta \mapsto \|\mathbf{Y} - \mathbb{X}\beta\|^2\) é

\[\hat{\beta} = \left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}\mathbb{X}^T\mathbf{Y}.\]

Prova. Pela definição de \(\hat{\beta}\), \(\mathbb{X}^T(\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}) = \mathbb{X}^T\mathbf{Y} - \mathbb{X}^T\mathbf{Y} = 0\). Assim, para todo \(\beta \in \mathbb{R}^p\),

\[\begin{align*} \|\mathbf{Y} - \mathbb{X}\beta\|^2 &= \left\|(\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}) + \mathbb{X}(\hat{\beta} - \beta)\right\|^2 \\ &= \|\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}\|^2 + 2(\hat{\beta} - \beta)^T\mathbb{X}^T(\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}) + \|\mathbb{X}(\hat{\beta} - \beta)\|^2 \\ &= \|\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}\|^2 + \|\mathbb{X}(\hat{\beta} - \beta)\|^2 \\ &\geq \|\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}\|^2. \end{align*}\]

A terceira igualdade usa \(\mathbb{X}^T(\mathbf{Y} - \mathbb{X}\hat{\beta}) = 0\). A desigualdade é uma igualdade se e somente se \(\mathbb{X}(\hat{\beta} - \beta) = 0\), isto é, por (A1), se e somente se \(\beta = \hat{\beta}\). \(\blacksquare\)

Definição (Predição). Para uma nova observação com covariável \(x \in \mathbb{R}^p\), a predição de \(Y\) pelo modelo linear é \(\hat{r}_n(x) = x^T\hat{\beta}\).

Lema 2 (A predição é uma combinação linear das respostas). Sob (A1), para todo \(x \in \mathbb{R}^p\),

\[\hat{r}_n(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)Y_i, \qquad \text{com} \qquad \ell_i(x) = x^T\left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}X_i.\]

Além disso, \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\).

Prova. Como \(\mathbb{X}^T\mathbf{Y} = \sum_{i=1}^{n}X_iY_i\), decorre do Lema 1 que

\[\begin{align*} \hat{r}_n(x) &= x^T\left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}\mathbb{X}^T\mathbf{Y} \\ &= x^T\left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}\sum_{i=1}^{n}X_iY_i \\ &= \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)Y_i. \end{align*}\]

Para a segunda afirmação, sejam \(e_1 = (1, 0, \ldots, 0)^T \in \mathbb{R}^p\) e \(\mathbf{1} = (1, \ldots, 1)^T \in \mathbb{R}^n\). Como a primeira coordenada de cada \(X_i\) é \(1\), vale \(\mathbb{X}e_1 = \mathbf{1}\). Assim,

\[\begin{align*} \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) &= x^T\left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}\mathbb{X}^T\mathbf{1} \\ &= x^T\left(\mathbb{X}^T\mathbb{X}\right)^{-1}\mathbb{X}^T\mathbb{X}e_1 \\ &= x^Te_1 = 1. \qquad \blacksquare \end{align*}\]

Observação. Os pesos \(\ell_i(x)\) dependem de \(x\) e de \(X_1, \ldots, X_n\), mas não de \(Y_1, \ldots, Y_n\). Por outro lado, eles são determinados pela forma global do modelo: podem ser negativos, e observações com \(X_i\) distante de \(x\) podem receber peso grande. Os linear smoothers mantêm a estrutura linear em \(\mathbf{Y}\), mas usam pesos concentrados nas observações com \(X_i\) próximo de \(x\).

Linear smoothers

Definição (Linear smoother, Wasserman (2006)). Um estimador \(\hat{r}_n\) de \(r\) é um linear smoother se, para todo \(x\), existe um vetor \(\ell(x) = (\ell_1(x), \ldots, \ell_n(x))^T\), que depende de \(x\) e de \(X_1, \ldots, X_n\), mas não de \(Y_1, \ldots, Y_n\), tal que

\[\hat{r}_n(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)Y_i.\]

Observação. Pelo Lema 2, a predição da regressão linear é um linear smoother. Todos os exemplos a seguir satisfazem \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\) (Exercício 2), de modo que, se \(Y_i = c\) para todo \(i\), então \(\hat{r}_n(x) = c\). Nos exemplos, \(d = 1\).

Exemplo 1 (Regressograma). Suponha \(X_i \in [0,1]\) e considere, como no histograma da Aula 1, a partição de \([0,1]\) em \(m\) intervalos \(B_1, \ldots, B_m\) de comprimento \(h = m^{-1}\). O regressograma é a média das respostas cujas covariáveis estão no mesmo intervalo que \(x\):

\[\hat{r}_n(x) = \frac{\sum_{i=1}^{n}Y_i\,\mathbb{I}(X_i \in B_j)} {\sum_{s=1}^{n}\mathbb{I}(X_s \in B_j)}, \qquad \text{se } x \in B_j,\]

supondo que o denominador é positivo. É um linear smoother com

\[\ell_i(x) = \frac{\mathbb{I}(X_i \in B_j)} {\sum_{s=1}^{n}\mathbb{I}(X_s \in B_j)}, \qquad \text{se } x \in B_j.\]

Assim como o histograma, \(\hat{r}_n\) é constante em cada \(B_j\), e \(h\) controla o compromisso entre viés e variância.

Exemplo 2 (\(k\) vizinhos mais próximos). Seja \(k \in \{1, \ldots, n\}\). Para \(x \in \mathbb{R}\), seja \(N_k(x)\) o conjunto dos índices das \(k\) observações com \(X_i\) mais próximo de \(x\), com empates desfeitos pelo menor índice. O estimador de \(k\) vizinhos mais próximos (\(k\)-NN) é

\[\hat{r}_n(x) = \frac{1}{k}\sum_{i \in N_k(x)}Y_i,\]

um linear smoother com \(\ell_i(x) = k^{-1}\mathbb{I}(i \in N_k(x))\). Seja \(d_k(x)\) a distância de \(x\) ao seu \(k\)-ésimo vizinho mais próximo. Sem empates, \(N_k(x) = \{i : |X_i - x| \leq d_k(x)\}\), de modo que o \(k\)-NN é a média das respostas com covariável na janela \([x - d_k(x), x + d_k(x)]\), cuja largura depende de \(x\): a janela é larga onde há poucas observações e estreita onde há muitas. O número \(k\) faz o papel da banda: \(k = n\) fornece \(\hat{r}_n \equiv \bar{Y}\), e \(k = 1\) fornece \(\hat{r}_n(X_i) = Y_i\).

Exemplo 3 (Médias locais). Seja \(h > 0\). A média local em \(x\) é a média das respostas cujas covariáveis estão na janela \((x-h, x+h]\):

\[\begin{align*} \hat{r}_n(x) &= \frac{\sum_{i=1}^{n}Y_i\,\mathbb{I}(x-h < X_i \leq x+h)} {\sum_{s=1}^{n}\mathbb{I}(x-h < X_s \leq x+h)} \\ &= \frac{\sum_{i=1}^{n}Y_iK_0\left(\frac{X_i - x}{h}\right)} {\sum_{s=1}^{n}K_0\left(\frac{X_s - x}{h}\right)}, \end{align*}\]

supondo que o denominador é positivo, em que \(K_0(u) = 2^{-1}\mathbb{I}(-1 < u \leq 1)\) é o kernel uniforme da Aula 7. É um linear smoother com

\[\ell_i(x) = \frac{K_0\left(\frac{X_i - x}{h}\right)} {\sum_{s=1}^{n}K_0\left(\frac{X_s - x}{h}\right)}.\]

Ao contrário do regressograma, as médias locais não dependem de uma partição pré-definida: a janela é centrada em \(x\) e acompanha o ponto, assim como o KDE em relação ao histograma. Ao contrário do \(k\)-NN, a largura da janela é a mesma para todo \(x\).

Exemplo 4 (Nadaraya-Watson, Nadaraya (1964); Watson (1964)). Suponha que \((X_1, Y_1)\) tem densidade conjunta \(f(y, x)\) e seja \(f(x)\) a densidade marginal de \(X_1\). Então, se \(f(x) > 0\),

\[r(x) = \int y f(y \mid x)\,dy = \frac{\int y f(y, x)\,dy}{f(x)}.\]

Sejam \(K\) um kernel de ordem \(1\) e \(h > 0\). Estime \(f(x)\) pelo KDE da Aula 7 e \(f(y, x)\) pelo KDE bivariado com kernel produto:

\[\hat{f}_n(x) = \frac{1}{nh}\sum_{i=1}^{n}K\left(\frac{X_i - x}{h}\right) \qquad \text{e} \qquad \hat{f}_n(y, x) = \frac{1}{nh^2}\sum_{i=1}^{n} K\left(\frac{Y_i - y}{h}\right)K\left(\frac{X_i - x}{h}\right).\]

Com a mudança de variáveis \(y = Y_i - uh\), para todo \(i\),

\[\begin{align*} \int y\,\frac{1}{h}K\left(\frac{Y_i - y}{h}\right)dy &= \int (Y_i - uh)K(u)\,du \\ &= Y_i\int K(u)\,du - h\int uK(u)\,du \\ &= Y_i, \end{align*}\]

pois \(\int K = 1\) e, como \(K\) tem ordem \(1\), \(\int uK(u)\,du = 0\). Assim,

\[\int y\hat{f}_n(y, x)\,dy = \frac{1}{nh}\sum_{i=1}^{n}Y_iK\left(\frac{X_i - x}{h}\right).\]

Substituindo as duas estimativas na expressão de \(r(x)\), o fator \((nh)^{-1}\) se cancela e obtém-se o estimador de Nadaraya-Watson

\[\hat{r}_n(x) = \frac{\int y\hat{f}_n(y, x)\,dy}{\hat{f}_n(x)} = \frac{\sum_{i=1}^{n}Y_iK\left(\frac{X_i - x}{h}\right)} {\sum_{s=1}^{n}K\left(\frac{X_s - x}{h}\right)},\]

supondo \(\hat{f}_n(x) \neq 0\). É um linear smoother com

\[\ell_i(x) = \frac{K\left(\frac{X_i - x}{h}\right)} {\sum_{s=1}^{n}K\left(\frac{X_s - x}{h}\right)}.\]

As médias locais são o caso \(K = K_0\). Com \(K \geq 0\) contínuo, como o gaussiano ou o de Epanechnikov, os pesos decaem continuamente com \(|X_i - x|\) e \(\hat{r}_n\) é contínua.

Exemplo 5 (Regressão polinomial local). Sejam \(K \geq 0\) um kernel, \(h > 0\) e \(q \in \{0, 1, 2, \ldots\}\). Pela série de Taylor, como no Lema 3 da Aula 7, se \(r\) é suave, então, para \(u\) próximo de \(x\),

\[r(u) \approx \sum_{j=0}^{q}\frac{r^{(j)}(x)}{j!}(u - x)^j.\]

Isto sugere ajustar, perto de \(x\), um polinômio de grau \(q\) em \(u - x\). Sejam

\[z_x(u) = \left(1, \, u - x, \, \frac{(u-x)^2}{2!}, \, \ldots, \, \frac{(u-x)^q}{q!}\right)^T \in \mathbb{R}^{q+1} \qquad \text{e} \qquad w_i(x) = K\left(\frac{X_i - x}{h}\right),\]

e considere o critério de mínimos quadrados ponderados

\[\hat{a}(x) = \arg\min_{a \in \mathbb{R}^{q+1}} \sum_{i=1}^{n}w_i(x)\left(Y_i - z_x(X_i)^Ta\right)^2,\]

em que \(a = (a_0, \ldots, a_q)^T\) e \(a_j\) faz o papel de \(r^{(j)}(x)\). O estimador de regressão polinomial local de grau \(q\) é \(\hat{r}_n(x) = \hat{a}_0(x)\).

Sejam \(\mathbb{X}_x\) a matriz \(n \times (q+1)\) cuja \(i\)-ésima linha é \(z_x(X_i)^T\) e \(W_x = \text{diag}(w_1(x), \ldots, w_n(x))\), e suponha que \(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\) é invertível. O critério é \(\|W_x^{1/2}\mathbf{Y} - W_x^{1/2}\mathbb{X}_xa\|^2\), e o Lema 1 aplicado a \(W_x^{1/2}\mathbb{X}_x\) e \(W_x^{1/2}\mathbf{Y}\) fornece

\[\hat{a}(x) = \left(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\right)^{-1} \mathbb{X}_x^TW_x\mathbf{Y}.\]

Como \(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbf{Y} = \sum_{i=1}^{n}w_i(x)z_x(X_i)Y_i\), sendo \(e_1 = (1, 0, \ldots, 0)^T \in \mathbb{R}^{q+1}\),

\[\hat{r}_n(x) = e_1^T\hat{a}(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)Y_i, \qquad \text{com} \qquad \ell_i(x) = w_i(x)\,e_1^T\left(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\right)^{-1} z_x(X_i).\]

Para \(q = 0\), \(\mathbb{X}_x = \mathbf{1}\) e \(\hat{r}_n(x) = \sum_i w_i(x)Y_i / \sum_s w_s(x)\) é o estimador de Nadaraya-Watson. Para \(q = 1\), obtém-se a regressão linear local (Exercício 4).

Exercícios

Exercício 1 (Matriz de suavização)

Para um linear smoother, a matriz de suavização é a matriz \(\mathbf{L}\), de dimensão \(n \times n\), com \(\mathbf{L}_{ij} = \ell_j(X_i)\), de modo que os valores ajustados são \((\hat{r}_n(X_1), \ldots, \hat{r}_n(X_n))^T = \mathbf{L}\mathbf{Y}\). O número efetivo de graus de liberdade é \(\nu = \text{tr}(\mathbf{L})\).

  1. Mostre que, na regressão linear, \(\mathbf{L} = \mathbb{X}(\mathbb{X}^T\mathbb{X})^{-1}\mathbb{X}^T\), que \(\mathbf{L}\) é simétrica e idempotente e que \(\nu = p\).

  2. Mostre que, se \(X_1, \ldots, X_n\) são distintos, então o \(k\)-NN tem \(\nu = n/k\). Interprete os casos \(k = 1\) e \(k = n\).

  3. Calcule \(\nu\) para o estimador de Nadaraya-Watson e compare com o termo \(K(0)/(nh)\) do Lema 4 da Aula 8.

Exercício 2 (Reprodução de polinômios)

  1. Mostre que, nos Exemplos 1 a 4, com \(K \geq 0\) no Exemplo 4, \(\ell_i(x) \geq 0\) e \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\).

  2. No Exemplo 5, mostre que, se \(Y_i = P(X_i)\) para todo \(i\), em que \(P\) é um polinômio de grau no máximo \(q\), então \(\hat{r}_n(x) = P(x)\). Sugestão: escreva \(P(u) = z_x(u)^Ta^*\) e note que o critério se anula em \(a^*\).

  3. Conclua de (b) que, no Exemplo 5, \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\) e \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x)^j = 0\) para \(1 \leq j \leq q\). Compare com a definição de kernel de ordem \(q\) da Aula 7.

Exercício 3 (Viés e variância condicionais)

  1. Mostre que, para todo linear smoother,

\[\mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid X_1, \ldots, X_n\right] = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)r(X_i) \qquad \text{e} \qquad \mathbb{V}\left[\hat{r}_n(x) \mid X_1, \ldots, X_n\right] = \sigma^2\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)^2.\]

  1. No regressograma, suponha que \(r\) é \(L\)-Lipschitz em \([0,1]\) e seja \(n_j = \sum_{i=1}^{n}\mathbb{I}(X_i \in B_j)\). Mostre que, para \(x \in B_j\), o viés condicional é, em módulo, no máximo \(Lh\) e a variância condicional é \(\sigma^2/n_j\). Compare com os Lemas 1 e 3 da Aula 1.

  2. No estimador de Nadaraya-Watson, suponha \(K \geq 0\), \(K(u) = 0\) para \(|u| > 1\) e \(r\) \(L\)-Lipschitz. Mostre que o viés condicional é, em módulo, no máximo \(Lh\).

Exercício 4 (Regressão linear local)

Considere o Exemplo 5 com \(q = 1\) e seja \(S_j = \sum_{i=1}^{n}w_i(x)(X_i - x)^j\), para \(j \in \{0, 1, 2\}\).

  1. Mostre que

\[\ell_i(x) = \frac{w_i(x)\left(S_2 - S_1(X_i - x)\right)}{S_0S_2 - S_1^2}.\]

  1. Mostre que o estimador de Nadaraya-Watson satisfaz \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x) = S_1/S_0\), enquanto a regressão linear local satisfaz \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x) = 0\).

  2. Suponha \(r(u) = a + bu\). Conclua que o viés condicional do estimador de Nadaraya-Watson em \(x\) é \(bS_1/S_0\), enquanto o da regressão linear local é zero. Explique por que \(S_1\) tende a ser grande em módulo quando \(x\) está próximo da fronteira do suporte de \(X\).

Exercício 5 (\(k\)-NN como média local adaptativa)

  1. Suponha que a densidade \(f\) de \(X_1\) é contínua e \(f(x) > 0\). Argumente, de forma heurística, que o número de observações em \([x - t, x + t]\) é aproximadamente \(2nf(x)t\) e, portanto, que \(d_k(x) \approx k/(2nf(x))\).

  2. Usando o Exercício 3, argumente que, para \(r\) Lipschitz, o \(k\)-NN tem viés condicional da ordem de \(k/n\) e variância condicional \(\sigma^2/k\). Que escolha de \(k\) equilibra os dois termos? Compare a taxa resultante com a do Teorema 1 da Aula 7 com \(\beta = 1\).

Referências

Nadaraya, Elizbar A. 1964. “On Estimating Regression.” Theory of Probability and Its Applications 9 (1): 141–42.
Wasserman, Larry. 2006. All of Nonparametric Statistics. Springer.
Watson, Geoffrey S. 1964. “Smooth Regression Analysis.” Sankhyā: The Indian Journal of Statistics, Series A 26 (4): 359–72.
Previous