Aula 2: Distribuição empírica e funcionais estatísticos
Data: 11/08/2026.
Leitura: Wasserman (2006), Capítulo 2.
Distribuição empírica
Definição (Distribuição empírica). Sejam \(X_1, \ldots, X_n\) observações i.i.d. com função de distribuição \(F\) em \(\mathbb{R}\). A distribuição empírica é definida por
\[\hat{F}_n(x) = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n} \mathbb{I}(X_i \leq x), \qquad x \in \mathbb{R}.\]
Lema 1 (Média e variância). Para todo \(x \in \mathbb{R}\), \(n\hat{F}_n(x) \sim \text{Binomial}(n, F(x))\). Em particular,
\[\mathbb{E}[\hat{F}_n(x)] = F(x) \qquad \text{e} \qquad \mathbb{V}[\hat{F}_n(x)] = \frac{F(x)(1-F(x))}{n} \leq \frac{1}{4n}.\]
Prova. Como \(X_1, \ldots, X_n\) são i.i.d., \(\mathbb{I}(X_1 \leq x), \ldots, \mathbb{I}(X_n \leq x)\) são i.i.d. e \(\mathbb{I}(X_i \leq x) \sim \text{Bernoulli}(F(x))\), pois \(\mathbb{P}(X_i \leq x) = F(x)\). Portanto, \(n\hat{F}_n(x) = \sum_{i=1}^{n}\mathbb{I}(X_i \leq x) \sim \text{Binomial}(n, F(x))\) e
\[\mathbb{E}[\hat{F}_n(x)] = \frac{nF(x)}{n} = F(x) \qquad \text{e} \qquad \mathbb{V}[\hat{F}_n(x)] = \frac{nF(x)(1-F(x))}{n^2} = \frac{F(x)(1-F(x))}{n}.\]
A última desigualdade decorre de \(p(1-p) \leq 4^{-1}\), para todo \(p \in [0,1]\). \(\blacksquare\)
Observação. Como \(\hat{F}_n(x)\) é não-viesado, \(\text{MSE}(\hat{F}_n(x)) = \mathbb{V}[\hat{F}_n(x)] \leq (4n)^{-1}\), uniformemente em \(x\) e sem qualquer suposição sobre \(F\). Contraste com a Aula 1: estimar a densidade \(f\) exigiu suposições de suavidade e produziu \(\text{MSE} \asymp n^{-2/3}\), enquanto estimar \(F\) atinge a taxa paramétrica \(n^{-1}\) sem suposição alguma. A diferença é que \(F(x)\) é uma média de variáveis limitadas, ao passo que \(f(x)\) não é um funcional contínuo de \(F\).
Teorema 1 (Convergência pontual). Para todo \(x \in \mathbb{R}\), quase certamente,
\[\lim_{n \to \infty} \hat{F}_n(x) = F(x) \qquad \text{e} \qquad \lim_{n \to \infty} \hat{F}_n(x^-) = F(x^-),\]
em que \(\hat{F}_n(x^-) = n^{-1}\sum_{i=1}^{n}\mathbb{I}(X_i < x)\) e \(F(x^-) = \lim_{y \uparrow x} F(y)\).
Prova. Como visto na prova do Lema 1, \(\hat{F}_n(x)\) é a média de \(n\) variáveis i.i.d. e integráveis com esperança \(F(x)\). Decorre da Lei Forte dos Grandes Números que \(\hat{F}_n(x) \to F(x)\) quase certamente. Analogamente, \(\hat{F}_n(x^-)\) é a média de \(n\) variáveis i.i.d. com esperança \(\mathbb{P}(X_1 < x) = F(x^-)\), de modo que \(\hat{F}_n(x^-) \to F(x^-)\) quase certamente. \(\blacksquare\)
Definição (Erro máximo). O erro máximo da distribuição empírica é definido por
\[D_n = \sup_{x \in \mathbb{R}} \left|\hat{F}_n(x) - F(x)\right|.\]
Também é chamado de distância de Kolmogorov-Smirnov entre \(\hat{F}_n\) e \(F\).
O Teorema 1 garante que, para cada \(x\) fixo, o conjunto em que \(\hat{F}_n(x) \not\to F(x)\) tem probabilidade \(0\). Como há uma quantidade não-enumerável de valores de \(x\), disto não decorre diretamente que, quase certamente, a convergência ocorra simultaneamente para todo \(x\), isto é, que \(D_n \to 0\). O Lema a seguir contorna esta dificuldade, mostrando que \(D_n\) é controlado pelo erro máximo em um número finito de pontos.
Lema 2 (Discretização do supremo). Para cada \(k \in \mathbb{N}\) e \(1 \leq j \leq k-1\), defina \(x_j = \inf\{x \in \mathbb{R}: F(x) \geq jk^{-1}\}\), e também \(x_0 = -\infty\) e \(x_k = +\infty\), com as convenções \(F(x_0) = \hat{F}_n(x_0) = 0\) e \(F(x_k^-) = \hat{F}_n(x_k^-) = 1\). Se
\[\Delta_{n,k} = \max_{0 \leq j \leq k} \max\left\{\left|\hat{F}_n(x_j) - F(x_j)\right|, \left|\hat{F}_n(x_j^-) - F(x_j^-)\right|\right\},\]
então \(D_n \leq \Delta_{n,k} + k^{-1}\).
Prova. Como \(F\) é não-decrescente e contínua à direita, decorre da definição de \(x_j\) que \(F(x_j^-) \leq jk^{-1} \leq F(x_j)\), para \(0 \leq j \leq k\).
Seja \(x \in \mathbb{R}\). Como \(x_0 = -\infty\) e \(x_k = +\infty\), existe \(1 \leq j \leq k\) tal que \(x_{j-1} \leq x < x_j\). Como \(\hat{F}_n\) e \(F\) são não-decrescentes, \(\hat{F}_n(x) \leq \hat{F}_n(x_j^-)\) e \(F(x) \geq F(x_{j-1})\). Portanto,
\[\begin{align*} \hat{F}_n(x) - F(x) &\leq \hat{F}_n(x_j^-) - F(x_{j-1}) \\ &= \left[\hat{F}_n(x_j^-) - F(x_j^-)\right] + \left[F(x_j^-) - F(x_{j-1})\right] \\ &\leq \Delta_{n,k} + \frac{1}{k}, \end{align*}\]
pois \(F(x_j^-) \leq jk^{-1}\) e \(F(x_{j-1}) \geq (j-1)k^{-1}\). Analogamente, \(\hat{F}_n(x) \geq \hat{F}_n(x_{j-1})\) e \(F(x) \leq F(x_j^-)\), de modo que
\[\begin{align*} \hat{F}_n(x) - F(x) &\geq \hat{F}_n(x_{j-1}) - F(x_j^-) \\ &= \left[\hat{F}_n(x_{j-1}) - F(x_{j-1})\right] - \left[F(x_j^-) - F(x_{j-1})\right] \\ &\geq -\Delta_{n,k} - \frac{1}{k}. \end{align*}\]
Como as desigualdades acima valem para todo \(x \in \mathbb{R}\), \(D_n \leq \Delta_{n,k} + k^{-1}\). \(\blacksquare\)
Teorema 2 (Glivenko-Cantelli). Quase certamente, \(\lim_{n \to \infty} D_n = 0\).
Prova. Fixe \(\eps > 0\) e tome \(k\) tal que \(k^{-1} < .5\eps\). Decorre do Lema 2 que, \[\begin{align*} P(\limsup_{n \to \infty} D_n > \eps) &\leq P(\limsup_{n \to \infty} D_n > \eps) \\ &\leq P(\limsup_{n \to \infty} \Delta_{n,k} + k^{-1} > \eps) &\leq P(\limsup_{n \to \infty} \Delta_{n,k} > .5\eps) = 0, \end{align*}\] onde a última igualdade decorre do Teorema 1, já que cada uma das no máximo \(2(k+1)\) parcelas que definem \(\Delta_{n,k}\) converge a \(0\) quase certamente. Como a interseção de um número finito de eventos de probabilidade \(1\) tem probabilidade \(1\), \(\Delta_{n,k}\) converge quase-certamente a \(0\).
Teorema 3 (Desigualdade de Hoeffding, Hoeffding (1963)). Sejam \(Y_1, \ldots, Y_n\) independentes e tais que \(\mathbb{P}(Y_i \in [0,1]) = 1\). Se \(\bar{Y} = n^{-1}\sum_{i=1}^{n}Y_i\), então, para todo \(\varepsilon > 0\),
\[\mathbb{P}\left(\left|\bar{Y} - \mathbb{E}[\bar{Y}]\right| \geq \varepsilon\right) \leq 2\exp\left(-2n\varepsilon^2\right).\]
O Teorema 2 garante que \(D_n \to 0\), mas nada informa sobre a velocidade desta convergência. O Lema 2 e o Teorema 3 permitem obter uma primeira resposta.
Teorema 4 (Velocidade de convergência). Para todo \(\varepsilon \in (0,1]\),
\[\mathbb{P}(D_n \geq \varepsilon) \leq \frac{16}{\varepsilon}\exp\left(-\frac{n\varepsilon^2}{2}\right).\]
Prova. Fixe \(\varepsilon \in (0,1]\) e tome \(k = \lceil 2\varepsilon^{-1}\rceil\), de modo que \(k^{-1} \leq 2^{-1}\varepsilon\). Decorre do Lema 2 que \(D_n \leq \Delta_{n,k} + 2^{-1}\varepsilon\) e, portanto,
\[\{D_n \geq \varepsilon\} \subseteq \left\{\Delta_{n,k} \geq \frac{\varepsilon}{2}\right\}.\]
Para cada \(j\), \(\hat{F}_n(x_j)\) e \(\hat{F}_n(x_j^-)\) são médias de \(n\) variáveis i.i.d. em \([0,1]\) com esperanças \(F(x_j)\) e \(F(x_j^-)\). Decorre do Teorema 3 que cada uma das no máximo \(2(k+1)\) parcelas que definem \(\Delta_{n,k}\) excede \(2^{-1}\varepsilon\) com probabilidade no máximo \(2\exp(-2n(2^{-1}\varepsilon)^2) = 2\exp(-2^{-1}n\varepsilon^2)\). Assim, decorre da subaditividade que
\[\mathbb{P}(D_n \geq \varepsilon) \leq \mathbb{P}\left(\Delta_{n,k} \geq \frac{\varepsilon}{2}\right) \leq 4(k+1)\exp\left(-\frac{n\varepsilon^2}{2}\right).\]
Finalmente, como \(\varepsilon \leq 1\), \(k + 1 \leq 2\varepsilon^{-1} + 2 \leq 4\varepsilon^{-1}\). \(\blacksquare\)
Corolário 1. Quase certamente, \(D_n \leq 2\sqrt{n^{-1}\log n}\) para todo \(n\) suficientemente grande.
Prova. Seja \(\varepsilon_n = 2\sqrt{n^{-1}\log n}\). Para \(n\) suficientemente grande, \(\varepsilon_n \in (0,1]\) e, pelo Teorema 4,
\[\mathbb{P}(D_n \geq \varepsilon_n) \leq \frac{16}{\varepsilon_n}\exp\left(-2\log n\right) \leq \frac{16\sqrt{n}}{n^{2}} = 16n^{-3/2}.\]
Como \(\sum_n n^{-3/2} < \infty\), decorre do Lema de Borel-Cantelli que, quase certamente, \(D_n < \varepsilon_n\) para todo \(n\) suficientemente grande. \(\blacksquare\)
Teorema 5 (Dvoretzky-Kiefer-Wolfowitz, Dvoretzky, Kiefer, and Wolfowitz (1956); Massart (1990)). Para todo \(\varepsilon > 0\) e todo \(n \in \mathbb{N}\),
\[\mathbb{P}(D_n \geq \varepsilon) \leq 2\exp\left(-2n\varepsilon^2\right).\]
Observação. O Teorema 5 é mais forte que o Teorema 4 em três aspectos. Primeiro, o fator polinomial \(16\varepsilon^{-1}\), que decorre da união sobre os \(2(k+1)\) pontos do Lema 2, é substituído pela constante \(2\). Segundo, o expoente \(-2^{-1}n\varepsilon^2\), que decorre de aplicar o Teorema 3 com \(2^{-1}\varepsilon\) no lugar de \(\varepsilon\), é substituído por \(-2n\varepsilon^2\). Isto é, a cota do Teorema 5 para \(D_n\) é exatamente a que o Teorema 3 fornece para um único ponto: o supremo não custa nada. Terceiro, a constante \(2\) é a menor possível, isto é, o Teorema 5 não pode ser melhorado (Massart (1990)).
Observação. A diferença aparece na velocidade obtida. Como \(\mathbb{E}[D_n] = \int_0^{\infty}\mathbb{P}(D_n \geq \varepsilon) d\varepsilon\), decorre do Teorema 5 que
\[\mathbb{E}[D_n] \leq \int_0^{\infty} 2\exp(-2n\varepsilon^2)d\varepsilon = \sqrt{\frac{\pi}{2n}} = O\left(n^{-1/2}\right),\]
a taxa paramétrica. Já o Teorema 4 fornece apenas \(\mathbb{E}[D_n] = O(\sqrt{n^{-1}\log n})\) (Exercício 5), com um fator \(\sqrt{\log n}\) excedente, assim como o Corolário 1.
Classes de Glivenko-Cantelli
O Teorema 2 admite a seguinte generalização. Sejam \(P\) uma probabilidade em \((\mathcal{X}, \mathcal{A})\), \(X_1, \ldots, X_n\) i.i.d. com distribuição \(P\), e \(P_n = n^{-1}\sum_{i=1}^{n}\delta_{X_i}\) a medida empírica, isto é, \(P_n(A) = n^{-1}\sum_{i=1}^{n} \mathbb{I}(X_i \in A)\). Para \(g: \mathcal{X} \to \mathbb{R}\) mensurável, escreva \(P_ng = n^{-1}\sum_{i=1}^{n}g(X_i)\) e \(Pg = \mathbb{E}[g(X_1)]\).
Definição (Classe de Glivenko-Cantelli). Seja \(\mathcal{G}\) uma classe de funções mensuráveis e integráveis \(g: \mathcal{X} \to \mathbb{R}\). Dizemos que \(\mathcal{G}\) é uma classe de Glivenko-Cantelli para \(P\) se
\[\|P_n - P\|_{\mathcal{G}} := \sup_{g \in \mathcal{G}} \left|P_ng - Pg\right| \longrightarrow 0 \qquad \text{quase certamente}.\]
Se \(\mathcal{G}\) é uma classe de Glivenko-Cantelli para toda probabilidade \(P\), dizemos que \(\mathcal{G}\) é universal. Uma classe de conjuntos \(\mathcal{C} \subseteq \mathcal{A}\) é dita de Glivenko-Cantelli quando \(\{\mathbb{I}_C : C \in \mathcal{C}\}\) o é.
Observação. Nesta linguagem, o Teorema 2 afirma que \(\mathcal{C} = \{(-\infty, x] : x \in \mathbb{R}\}\) é uma classe de Glivenko-Cantelli universal, pois \(P_n\mathbb{I}_{(-\infty,x]} = \hat{F}_n(x)\) e \(P\mathbb{I}_{(-\infty,x]} = F(x)\). Note que a prova do Teorema 2 usa somente a Lei Forte dos Grandes Números e o fato de que \(\mathcal{C}\) pode ser aproximada por uma subclasse finita: é esta segunda propriedade que define, em geral, quais classes são de Glivenko-Cantelli.
Observação. Nem toda classe é de Glivenko-Cantelli. Se \(P\) é contínua e \(\mathcal{C}\) é a classe de todos os subconjuntos finitos de \(\mathbb{R}\), então, tomando \(C = \{X_1, \ldots, X_n\}\), \(P_n(C) = 1\) e \(P(C) = 0\). Logo, \(\|P_n - P\|_{\mathcal{C}} = 1\) para todo \(n\). Classes suficientemente ricas não podem ser estimadas uniformemente.
Observação. Na próxima seção estudaremos condições gerais para caracterizar classes de Glivenko-Cantelli.
Exercícios
Exercício 1 (Covariância e processo empírico)
- Mostre que, para todos \(x, y \in \mathbb{R}\),
\[\text{Cov}\left(\hat{F}_n(x), \hat{F}_n(y)\right) = \frac{F(\min(x,y)) - F(x)F(y)}{n}.\]
Use o Teorema Central do Limite para mostrar que, para cada \(x \in \mathbb{R}\) fixo, \(\sqrt{n}\left(\hat{F}_n(x) - F(x)\right)\) converge em distribuição a uma \(N(0, F(x)(1-F(x)))\).
Mostre que, para \(x_1, \ldots, x_d\) fixos, o vetor \(\sqrt{n}\left(\hat{F}_n(x_i) - F(x_i)\right)_{i=1}^{d}\) converge em distribuição a uma Normal multivariada com matriz de covariâncias dada por (a). Pesquise a definição de ponte browniana e o Teorema de Donsker, e explique em que sentido eles fortalecem este item.
Compare a taxa \(n^{-1/2}\) obtida em (b) com a taxa \(n^{-1/3}\) do histograma, obtida no Teorema 1 da Aula 1. Por que estimar \(F\) é mais fácil que estimar \(f\)?
Exercício 2 (Bandas de confiança)
Seja \(\alpha \in (0,1)\).
- Use o Teorema 5 para mostrar que, se \(\varepsilon_n = \sqrt{(2n)^{-1}\log(2\alpha^{-1})}\), então
\[\mathbb{P}\left(\hat{F}_n(x) - \varepsilon_n \leq F(x) \leq \hat{F}_n(x) + \varepsilon_n, \ \text{para todo } x \in \mathbb{R}\right) \geq 1 - \alpha.\]
Explique por que a banda de (a) é simultânea em \(x\), ao passo que a banda obtida a partir do Exercício 1(b) é apenas pontual.
Obtenha a banda análoga a partir do Teorema 4 e compare a sua largura com a de (a) quando \(n = 1000\) e \(\alpha = 0{,}05\).
Mostre que a banda de (a) pode ser melhorada substituindo-se os seus limites por \(\max(0, \hat{F}_n(x) - \varepsilon_n)\) e \(\min(1, \hat{F}_n(x) + \varepsilon_n)\).
Exercício 3 (A distribuição de \(D_n\) não depende de \(F\))
Suponha que \(F\) é contínua e seja \(U_i = F(X_i)\).
Mostre que \(U_1, \ldots, U_n\) são i.i.d. e \(U_i \sim \text{Uniforme}(0,1)\).
Seja \(\hat{G}_n\) a distribuição empírica de \(U_1, \ldots, U_n\). Mostre que \(D_n = \sup_{u \in [0,1]}\left|\hat{G}_n(u) - u\right|\).
Conclua que a distribuição de \(D_n\) é a mesma para toda \(F\) contínua. Explique por que este é o fato que viabiliza o teste de Kolmogorov-Smirnov.
Simule a distribuição de \(D_n\) para \(n = 50\) e compare o quantil \(0{,}95\) obtido com o \(\varepsilon_n\) do Exercício 2(a). A cota do Teorema 5 é conservadora?
Exercício 4 (Classes de Glivenko-Cantelli)
Mostre que toda classe finita de funções uniformemente limitadas é de Glivenko-Cantelli universal.
Mostre que a classe dos intervalos \(\mathcal{C} = \{(a,b] : a \leq b\}\) é de Glivenko-Cantelli universal. Sugestão: escreva \(\mathbb{I}_{(a,b]}\) em termos de \(\mathbb{I}_{(-\infty,b]}\) e \(\mathbb{I}_{(-\infty,a]}\).
Seja \(P\) a distribuição Uniforme\((0,1)\) e \(\mathcal{C}\) a classe de todos os subconjuntos finitos de \(\mathbb{R}\). Mostre que \(\|P_n - P\|_{\mathcal{C}} = 1\) para todo \(n\).
O item (c) contradiz o Teorema 2? Explique.
Exiba uma probabilidade \(P\) para a qual a classe de (c) é de Glivenko-Cantelli.
Exercício 5 (Esperança do erro máximo)
Mostre que, se \(Z \geq 0\), então \(\mathbb{E}[Z] = \int_0^{\infty}\mathbb{P}(Z \geq \varepsilon)d\varepsilon\).
Use (a) e o Teorema 5 para mostrar que \(\mathbb{E}[D_n] \leq \sqrt{\pi(2n)^{-1}}\).
Use (a) e o Teorema 4 para mostrar que \(\mathbb{E}[D_n] = O\left(\sqrt{n^{-1}\log n}\right)\). Sugestão: escolha \(\varepsilon_0 = \sqrt{2n^{-1}\log n}\) e decomponha a integral em \((0, \varepsilon_0)\) e \((\varepsilon_0, \infty)\).
Identifique, na prova do Teorema 4, o passo responsável pelo fator \(\sqrt{\log n}\) excedente.