Aula 10: Propriedades de linear smoothers
Data: 15/09/2026.
Leitura: Wasserman (2006), Capítulo 5.
Ao longo desta aula, vale o modelo de regressão da Aula 9 com \(d = 1\): \((X_1, Y_1), \ldots, (X_n, Y_n)\) são i.i.d., \(Y_i = r(X_i) + \varepsilon_i\) e, condicionalmente a \(X_1, \ldots, X_n\), os erros \(\varepsilon_1, \ldots, \varepsilon_n\) são independentes, com média \(0\) e variância \(\sigma^2\). O estimador \(\hat{r}_n(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)Y_i\) é um linear smoother.
Matriz de suavização
Definição (Desenho). Denote \(\mathbf{X} = (X_1, \ldots, X_n)\). Esperanças, variâncias e probabilidades condicionais ao desenho são escritas como \(\mathbb{E}[\cdot \mid \mathbf{X}]\), \(\mathbb{V}[\cdot \mid \mathbf{X}]\) e \(\mathbb{P}(\cdot \mid \mathbf{X})\).
Definição (Matriz de suavização). A matriz de suavização é a matriz \(\mathbf{L}\), de dimensão \(n \times n\), com \(\mathbf{L}_{ij} = \ell_j(X_i)\). Assim, sendo \(\mathbf{Y} = (Y_1, \ldots, Y_n)^T\) e \(\mathbf{r} = (r(X_1), \ldots, r(X_n))^T\), os valores ajustados são
\[\hat{\mathbf{r}} = (\hat{r}_n(X_1), \ldots, \hat{r}_n(X_n))^T = \mathbf{L}\mathbf{Y}.\]
Definição (Graus de liberdade efetivos). O número efetivo de graus de liberdade do linear smoother é \(\nu = \text{tr}(\mathbf{L}) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(X_i)\).
Exemplo 1 (Graus de liberdade). Pelo Exercício 1 da Aula 9:
- na regressão linear, \(\mathbf{L} = \mathbb{X}(\mathbb{X}^T\mathbb{X})^{-1}\mathbb{X}^T\) e \(\nu = \text{tr}((\mathbb{X}^T\mathbb{X})^{-1}\mathbb{X}^T\mathbb{X}) = p\);
- no \(k\)-NN com \(X_1, \ldots, X_n\) distintos, \(\mathbf{L}_{ii} = k^{-1}\) e \(\nu = n/k\);
- no Nadaraya-Watson, \(\nu = \sum_{i=1}^{n}K(0)\big/\sum_{s=1}^{n}K\left(\frac{X_s - X_i}{h}\right)\).
Os parâmetros de suavização \(h\), \(k\) e \(p\) não são comparáveis entre si, mas \(\nu\) é: ele permite comparar métodos diferentes com a mesma complexidade. Para \(k = n\) no \(k\)-NN, \(\nu = 1\), a complexidade de ajustar uma constante; para \(k = 1\), \(\nu = n\), a de interpolar os dados.
Viés, variância e risco
Lema 1 (Viés e variância condicionais). Para todo \(x\),
\[\mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)r(X_i) \qquad \text{e} \qquad \mathbb{V}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] = \sigma^2\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)^2.\]
Se, além disso, \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\), então \(\mathbb{E}[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}] - r(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(r(X_i) - r(x))\).
Prova. Como os pesos dependem apenas de \(x\) e de \(X_1, \ldots, X_n\),
\[\mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)\left(r(X_i) + \mathbb{E}[\varepsilon_i \mid \mathbf{X}]\right) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)r(X_i),\]
e, pela independência condicional dos erros, \(\mathbb{V}[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}] = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)^2\mathbb{V}[\varepsilon_i \mid \mathbf{X}] = \sigma^2\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)^2\). A última afirmação decorre de \(r(x) = \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)r(x)\). \(\blacksquare\)
Suposição (A1) (Suavidade). \(r \in \Sigma(\beta, L)\), a classe de Hölder da Aula 7, para algum \(\beta > 0\) e algum \(L > 0\). Seja \(m\) o maior inteiro estritamente menor que \(\beta\).
Suposição (A2) (Pesos locais que reproduzem polinômios). Para \(x \in \mathbb{R}\) e \(h > 0\) fixos, existe \(C_0 > 0\) tal que:
- (P1) \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\) e \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x)^j = 0\), para \(1 \leq j \leq m\);
- (P2) \(\ell_i(x) = 0\) sempre que \(|X_i - x| > h\);
- (P3) \(\sum_{i=1}^{n}|\ell_i(x)| \leq C_0\) e \(\max_{i}|\ell_i(x)| \leq C_0(nh)^{-1}\).
Como os pesos dependem de \(X_1, \ldots, X_n\), (A2) é uma condição sobre o desenho observado. Ao longo desta seção, \(C > 0\) denota uma constante que depende apenas de \(\beta\), \(L\), \(C_0\) e \(\sigma^2\).
Teorema 1 (Risco de linear smoothers). Sob (A1) e (A2),
\[\left|\mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] - r(x)\right| \leq Ch^{\beta}, \qquad \mathbb{V}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] \leq \frac{C}{nh} \qquad \text{e} \qquad \mathbb{E}\left[\left(\hat{r}_n(x) - r(x)\right)^2 \mid \mathbf{X}\right] \leq C\left(h^{2\beta} + \frac{1}{nh}\right).\]
Em particular, se (A2) vale com \(h = n^{-1/(2\beta+1)}\), então \(\mathbb{E}[(\hat{r}_n(x) - r(x))^2 \mid \mathbf{X}] \leq 2C\,n^{-\frac{2\beta}{2\beta+1}}\).
Prova. Seja \(R_x\) o resto de Taylor do Lema 3 da Aula 7, aplicado a \(r\), de modo que \(|R_x(t)| \leq L|t|^{\beta}(m!)^{-1}\). Pelo Lema 1 e por (P1),
\[\begin{align*} \mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] - r(x) &= \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)\left(r(X_i) - r(x)\right) \\ &= \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)\left(\sum_{j=1}^{m}\frac{r^{(j)}(x)}{j!}(X_i - x)^j + R_x(X_i - x)\right) \\ &= \sum_{j=1}^{m}\frac{r^{(j)}(x)}{j!}\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x)^j + \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)R_x(X_i - x) \\ &= \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)R_x(X_i - x). \end{align*}\]
A segunda igualdade é a expansão de Taylor com \(t = X_i - x\), e a última usa (P1). Assim,
\[\begin{align*} \left|\mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] - r(x)\right| &\leq \sum_{i=1}^{n}|\ell_i(x)|\,|R_x(X_i - x)| \\ &\leq \frac{L}{m!}\sum_{i=1}^{n}|\ell_i(x)|\,|X_i - x|^{\beta} \\ &\leq \frac{L}{m!}h^{\beta}\sum_{i=1}^{n}|\ell_i(x)| \\ &\leq \frac{LC_0}{m!}h^{\beta}. \end{align*}\]
A terceira desigualdade usa (P2): só contribuem os termos com \(|X_i - x| \leq h\). A última usa (P3). Para a variância, pelo Lema 1 e por (P3),
\[\mathbb{V}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] = \sigma^2\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)^2 \leq \sigma^2\max_i|\ell_i(x)|\sum_{i=1}^{n}|\ell_i(x)| \leq \frac{\sigma^2C_0^2}{nh}.\]
A cota para o risco decorre da decomposição em viés ao quadrado e variância, como no Lema 1 da Aula 7, e a taxa decorre da mesma conta do Teorema 1 da Aula 7. \(\blacksquare\)
Observação. O Teorema 1 é o Lema 4 e o Corolário 1 da Aula 7 com uma soma no lugar da integral. (P1) faz o papel da ordem do kernel e anula o polinômio de Taylor; (P2) faz o papel do suporte compacto; (P3) faz o papel de \(\kappa_\beta\) e de \(R(K)\). O resultado não é assintótico: vale para cada \(n\) e para cada desenho que satisfaz (A2). Para cada método, resta verificar (A2).
Corolário 1 (Nadaraya-Watson). Seja \(K \geq 0\) um kernel com \(K(u) = 0\) para \(|u| > 1\) e \(K \leq K_{\max}\). Suponha (A1) com \(\beta \leq 1\) e que \(\sum_{s=1}^{n}K\left(\frac{X_s - x}{h}\right) \geq c_0nh\) para algum \(c_0 > 0\). Então o estimador de Nadaraya-Watson satisfaz (A2) e, portanto, as conclusões do Teorema 1.
Prova. Como \(\beta \leq 1\), \(m = 0\) e (P1) exige apenas \(\sum_i \ell_i(x) = 1\), que vale pela definição dos pesos. (P2) decorre de \(K(u) = 0\) para \(|u| > 1\). Como \(\ell_i(x) \geq 0\), \(\sum_i|\ell_i(x)| = 1\), e
\[\max_i|\ell_i(x)| = \max_i\frac{K\left(\frac{X_i - x}{h}\right)}{\sum_{s=1}^{n}K\left(\frac{X_s - x}{h}\right)} \leq \frac{K_{\max}}{c_0nh},\]
o que prova (P3) com \(C_0 = \max(1, K_{\max}c_0^{-1})\). \(\blacksquare\)
Observação. A condição sobre o desenho é \(\hat{f}_n(x) \geq c_0\), em que \(\hat{f}_n\) é o KDE da Aula 7. Para \(\beta > 1\), (P1) exige \(\sum_i\ell_i(x)(X_i - x) = 0\), o que em geral não vale para o Nadaraya-Watson (Exercício 4 da Aula 9): seu viés passa a depender da distribuição de \(X_1, \ldots, X_n\) ao redor de \(x\). A regressão polinomial local corrige isso.
Definição (Pesos reescalados da regressão polinomial local). Considere a regressão polinomial local de grau \(q\) do Exemplo 6 da Aula 9, com kernel \(K \geq 0\). Sejam \(Z_i = (X_i - x)/h\),
\[U(u) = \left(1, \, u, \, \frac{u^2}{2!}, \, \ldots, \, \frac{u^q}{q!}\right)^T \qquad \text{e} \qquad B_x = \frac{1}{nh}\sum_{i=1}^{n}K(Z_i)U(Z_i)U(Z_i)^T.\]
Lema 2 (Pesos da regressão polinomial local). Se \(B_x\) é invertível, então, para todo \(i\),
\[\ell_i(x) = \frac{1}{nh}K(Z_i)\,e_1^TB_x^{-1}U(Z_i).\]
Além disso, \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x) = 1\) e \(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)(X_i - x)^j = 0\), para \(1 \leq j \leq q\).
Prova. Seja \(D_h = \text{diag}(1, h, \ldots, h^q)\). Como \((X_i - x)^j/j! = h^jZ_i^j/j!\), vale \(z_x(X_i) = D_hU(Z_i)\). Assim, com a notação do Exemplo 6 da Aula 9,
\[\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x = \sum_{i=1}^{n}K(Z_i)z_x(X_i)z_x(X_i)^T = nh\,D_hB_xD_h.\]
Como \(e_1^TD_h^{-1} = e_1^T\),
\[\begin{align*} \ell_i(x) &= K(Z_i)\,e_1^T\left(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\right)^{-1}z_x(X_i) \\ &= \frac{1}{nh}K(Z_i)\,e_1^TD_h^{-1}B_x^{-1}D_h^{-1}D_hU(Z_i) \\ &= \frac{1}{nh}K(Z_i)\,e_1^TB_x^{-1}U(Z_i). \end{align*}\]
Para a segunda afirmação,
\[\begin{align*} \sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)z_x(X_i)^T &= e_1^T\left(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\right)^{-1} \sum_{i=1}^{n}K(Z_i)z_x(X_i)z_x(X_i)^T \\ &= e_1^T\left(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\right)^{-1}\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x \\ &= e_1^T. \end{align*}\]
A primeira coordenada fornece \(\sum_i\ell_i(x) = 1\), e a coordenada \(j+1\) fornece \(\sum_i\ell_i(x)(X_i - x)^j/j! = 0\). \(\blacksquare\)
Corolário 2 (Regressão polinomial local). Seja \(K \geq 0\) um kernel com \(K(u) = 0\) para \(|u| > 1\) e \(K \leq K_{\max}\). Suponha (A1), \(q \geq m\) e que existem \(\lambda_0 > 0\) e \(a_0 > 0\) tais que:
- (D1) o menor autovalor de \(B_x\) é pelo menos \(\lambda_0\);
- (D2) \(\sum_{i=1}^{n}\mathbb{I}(|X_i - x| \leq h) \leq a_0nh\).
Então a regressão polinomial local de grau \(q\) satisfaz (A2) e, portanto, as conclusões do Teorema 1.
Prova. (P1) decorre do Lema 2, pois \(q \geq m\). (P2) decorre de \(K(Z_i) = 0\) para \(|Z_i| > 1\). Para (P3), se \(|Z_i| \leq 1\), então \(\|U(Z_i)\|^2 = \sum_{j=0}^{q}Z_i^{2j}(j!)^{-2} \leq q+1\). Pelo Lema 2, pela desigualdade de Cauchy-Schwarz e por (D1), que garante que os autovalores de \(B_x^{-1}\) são no máximo \(\lambda_0^{-1}\),
\[\begin{align*} |\ell_i(x)| &\leq \frac{K_{\max}}{nh}\left|e_1^TB_x^{-1}U(Z_i)\right| \\ &\leq \frac{K_{\max}}{nh}\left\|B_x^{-1}U(Z_i)\right\| \\ &\leq \frac{K_{\max}}{nh\lambda_0}\left\|U(Z_i)\right\| \\ &\leq \frac{K_{\max}\sqrt{q+1}}{\lambda_0}\cdot\frac{1}{nh}. \end{align*}\]
Como \(\ell_i(x) = 0\) para \(|X_i - x| > h\), por (D2), \(\sum_i|\ell_i(x)| \leq a_0nh\max_i|\ell_i(x)| \leq a_0K_{\max}\sqrt{q+1}\,\lambda_0^{-1}\). \(\blacksquare\)
Observação (Condições sobre o desenho). (D1) é a invertibilidade de \(\mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\) na Aula 9, de forma quantitativa. Se \(X_1\) tem densidade \(f\) contínua com \(f(x) > 0\), então, quando \(h \to 0\) e \(nh \to \infty\),
\[B_x \to f(x)\mathbf{B}, \qquad \text{com} \qquad \mathbf{B} = \int K(u)U(u)U(u)^T\,du,\]
em probabilidade, pois \(\mathbb{E}[B_x] = \int K(u)U(u)U(u)^Tf(x+uh)\,du\). A matriz \(\mathbf{B}\) é positiva definida quando \(K > 0\) em um conjunto de medida positiva, pois, para \(v \neq 0\), \(v^T\mathbf{B}v = \int K(u)(v^TU(u))^2\,du > 0\), já que \(v^TU\) é um polinômio não nulo. Do mesmo modo, (D2) vale com probabilidade próxima de \(1\) se \(f\) é limitada. Assim, para desenhos aleatórios usuais, (D1) e (D2) valem com probabilidade tendendo a \(1\).
Kernel equivalente
Definição (Kernel equivalente). Seja \(K \geq 0\) um kernel limitado, com \(K(u) = 0\) para \(|u| > 1\) e \(\mathbf{B} = \int K(u)U(u)U(u)^T\,du\) positiva definida. O kernel equivalente da regressão polinomial local de grau \(q\) é
\[K^*(u) = e_1^T\mathbf{B}^{-1}U(u)\,K(u).\]
Lema 3 (O kernel equivalente tem ordem \(q\)). \(K^*\) é um kernel de ordem \(q\), na convenção da Aula 7.
Prova. \(K^*\) é limitado e se anula fora de \([-1,1]\), de modo que é integrável, \(R(K^*) < \infty\) e \(\kappa_q < \infty\). Além disso,
\[\int K^*(u)U(u)^T\,du = e_1^T\mathbf{B}^{-1}\int K(u)U(u)U(u)^T\,du = e_1^T\mathbf{B}^{-1}\mathbf{B} = e_1^T.\]
A primeira coordenada fornece \(\int K^* = 1\), e a coordenada \(j+1\) fornece \(\int u^jK^*(u)\,du = 0\), para \(1 \leq j \leq q\). \(\blacksquare\)
Observação (Risco assintótico, Fan and Gijbels (1996)). Pelo Lema 2 e pela observação sobre o desenho, \(B_x \approx f(x)\mathbf{B}\) e, portanto,
\[\ell_i(x) \approx \frac{1}{nhf(x)}K^*\left(\frac{X_i - x}{h}\right).\]
Isto é, a regressão polinomial local se comporta como uma média ponderada por um kernel de ordem \(q\), sem denominador aleatório. Esta aproximação fornece, heuristicamente,
\[\begin{align*} \mathbb{V}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] &\approx \frac{\sigma^2}{(nhf(x))^2}\sum_{i=1}^{n}K^*(Z_i)^2 \approx \frac{\sigma^2R(K^*)}{nhf(x)}, \\ \mathbb{E}\left[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}\right] - r(x) &\approx \frac{r^{(q+1)}(x)h^{q+1}}{(q+1)!}\int u^{q+1}K^*(u)\,du, \end{align*}\]
a segunda quando \(r\) tem \(q+1\) derivadas e a integral não se anula. Se \(K\) é simétrico, \(K^*\) também é, e a integral se anula quando \(q\) é par; nesse caso, o termo principal do viés tem ordem \(h^{q+2}\) e depende de \(f'(x)\). Para \(K\) simétrico, \(q = 0\) e \(q = 1\) têm o mesmo kernel equivalente \(K^* = K\) (Exercício 4). Assim, o Nadaraya-Watson (\(q = 0\)) e a regressão linear local (\(q = 1\)) têm a mesma variância assintótica, mas o viés da regressão linear local, \(h^2r''(x)\kappa_2/2\), não depende do desenho.
Validação cruzada
Definição (Validação cruzada). Seja \(\hat{r}_{-i}\) o estimador calculado com a amostra sem a observação \(i\). O critério de validação cruzada é
\[\text{CV} = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}\left(Y_i - \hat{r}_{-i}(X_i)\right)^2.\]
Lema 4 (Sherman-Morrison). Sejam \(A\) uma matriz \(p \times p\) simétrica invertível e \(v \in \mathbb{R}^p\) com \(v^TA^{-1}v \neq 1\). Então
\[\left(A - vv^T\right)^{-1} = A^{-1} + \frac{A^{-1}vv^TA^{-1}}{1 - v^TA^{-1}v}.\]
Prova. Seja \(a = v^TA^{-1}v\). Então
\[\begin{align*} \left(A - vv^T\right)\left(A^{-1} + \frac{A^{-1}vv^TA^{-1}}{1 - a}\right) &= I - vv^TA^{-1} + \frac{vv^TA^{-1} - avv^TA^{-1}}{1 - a} \\ &= I - vv^TA^{-1} + vv^TA^{-1} \\ &= I. \qquad \blacksquare \end{align*}\]
Teorema 2 (Validação cruzada com um único ajuste). Suponha que vale uma das condições abaixo:
\(\ell_j(x) = g_j(x)/\sum_{s=1}^{n}g_s(x)\), em que \(g_j(x) \geq 0\) depende apenas de \(x\) e de \(X_j\), e \(\sum_{s \neq i}g_s(X_i) > 0\);
\(\hat{r}_n\) é a predição da regressão linear e \(\mathbf{L}_{ii} < 1\).
Então, para todo \(i\),
\[Y_i - \hat{r}_{-i}(X_i) = \frac{Y_i - \hat{r}_n(X_i)}{1 - \mathbf{L}_{ii}} \qquad \text{e, portanto,} \qquad \text{CV} = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n} \left(\frac{Y_i - \hat{r}_n(X_i)}{1 - \mathbf{L}_{ii}}\right)^2.\]
Prova. (a) Escreva \(g_s = g_s(X_i)\). Como \(g_j\) não depende das demais observações, retirar a observação \(i\) apenas remove o termo \(i\) das somas. Assim,
\[\begin{align*} Y_i - \hat{r}_{-i}(X_i) &= \frac{\sum_{s \neq i}g_s(Y_i - Y_s)}{\sum_{s \neq i}g_s} \\ &= \frac{\sum_{s=1}^{n}g_s(Y_i - Y_s)}{\sum_{s \neq i}g_s} \\ &= \frac{\sum_{s=1}^{n}g_s(Y_i - Y_s)}{\sum_{s=1}^{n}g_s} \cdot\frac{\sum_{s=1}^{n}g_s}{\sum_{s \neq i}g_s} \\ &= \frac{Y_i - \hat{r}_n(X_i)}{1 - \mathbf{L}_{ii}}. \end{align*}\]
A segunda igualdade usa que o termo \(s = i\) é nulo, e a última usa \(\mathbf{L}_{ii} = g_i/\sum_s g_s\).
- Sejam \(A = \mathbb{X}^T\mathbb{X}\) e \(v = X_i\), de modo que \(\mathbf{L}_{ii} = v^TA^{-1}v\). Sem a observação \(i\), a matriz e o vetor do Lema 1 da Aula 9 passam a ser \(A - vv^T\) e \(\mathbb{X}^T\mathbf{Y} - vY_i\). Pelo Lema 4,
\[v^T\left(A - vv^T\right)^{-1} = v^TA^{-1} + \frac{\mathbf{L}_{ii}v^TA^{-1}}{1 - \mathbf{L}_{ii}} = \frac{v^TA^{-1}}{1 - \mathbf{L}_{ii}}.\]
Assim,
\[\begin{align*} \hat{r}_{-i}(X_i) &= v^T\left(A - vv^T\right)^{-1}\left(\mathbb{X}^T\mathbf{Y} - vY_i\right) \\ &= \frac{v^TA^{-1}\mathbb{X}^T\mathbf{Y} - \mathbf{L}_{ii}Y_i}{1 - \mathbf{L}_{ii}} \\ &= \frac{\hat{r}_n(X_i) - \mathbf{L}_{ii}Y_i}{1 - \mathbf{L}_{ii}}, \end{align*}\]
e \(Y_i - \hat{r}_{-i}(X_i) = \left((1 - \mathbf{L}_{ii})Y_i - \hat{r}_n(X_i) + \mathbf{L}_{ii}Y_i\right)(1 - \mathbf{L}_{ii})^{-1} = (Y_i - \hat{r}_n(X_i))(1 - \mathbf{L}_{ii})^{-1}\). \(\blacksquare\)
Observação (Alcance do Teorema 2). A condição (a) inclui o regressograma, as médias locais e o Nadaraya-Watson, e é o análogo do Lema 5 da Aula 8. O argumento de (b) também vale para a regressão polinomial local, para a regressão linear penalizada e para processos gaussianos (Exercícios 1 e 2). A fórmula não vale para o \(k\)-NN, pois retirar a observação \(i\) altera o conjunto de vizinhos (Exercício 3).
Observação (Custo computacional). Para métodos globais, como regressão linear, ridge ou processos gaussianos, calcular \(\hat{r}_{-i}\) diretamente exige \(n\) reajustes, cada um com uma inversão de matriz; o Teorema 2 exige um único ajuste. Para métodos locais, como o Nadaraya-Watson, o ganho é menor, pois cada \(\hat{r}_{-i}(X_i)\) já custa \(O(n)\) operações, mas o Teorema 2 ainda permite reaproveitar \(\hat{\mathbf{r}}\) e a diagonal de \(\mathbf{L}\).
Definição (Validação cruzada generalizada, Craven and Wahba (1979)).
\[\text{GCV} = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n} \left(\frac{Y_i - \hat{r}_n(X_i)}{1 - \nu/n}\right)^2.\]
Observação. A validação cruzada generalizada troca cada \(\mathbf{L}_{ii}\) pela sua média \(\nu/n\). Ela exige apenas o traço de \(\mathbf{L}\), que muitas vezes é mais barato que a diagonal.
Estimação não-viesada do risco
Definição (Risco nos pontos do desenho).
\[\mathcal{R}_n = \frac{1}{n}\mathbb{E}\left[\|\hat{\mathbf{r}} - \mathbf{r}\|^2 \mid \mathbf{X}\right] = \frac{1}{n}\sum_{i=1}^{n}\mathbb{E}\left[\left(\hat{r}_n(X_i) - r(X_i)\right)^2 \mid \mathbf{X}\right].\]
Lema 5 (Esperança de formas quadráticas). Sejam \(\mathbf{v} \in \mathbb{R}^n\) e \(M\) uma matriz \(n \times n\) que dependem apenas de \(X_1, \ldots, X_n\), e \(\boldsymbol{\varepsilon} = (\varepsilon_1, \ldots, \varepsilon_n)^T\). Então
\[\mathbb{E}\left[\|\mathbf{v} + M\boldsymbol{\varepsilon}\|^2 \mid \mathbf{X}\right] = \|\mathbf{v}\|^2 + \sigma^2\,\text{tr}\left(M^TM\right).\]
Prova. Como \(\mathbb{E}[\boldsymbol{\varepsilon} \mid \mathbf{X}] = 0\) e \(\mathbb{E}[\boldsymbol{\varepsilon}\boldsymbol{\varepsilon}^T \mid \mathbf{X}] = \sigma^2I\),
\[\begin{align*} \mathbb{E}\left[\|\mathbf{v} + M\boldsymbol{\varepsilon}\|^2 \mid \mathbf{X}\right] &= \|\mathbf{v}\|^2 + 2\mathbf{v}^TM\,\mathbb{E}[\boldsymbol{\varepsilon} \mid \mathbf{X}] + \mathbb{E}\left[\text{tr}\left(M^TM\boldsymbol{\varepsilon}\boldsymbol{\varepsilon}^T\right) \mid \mathbf{X}\right] \\ &= \|\mathbf{v}\|^2 + \text{tr}\left(M^TM\,\mathbb{E}\left[\boldsymbol{\varepsilon}\boldsymbol{\varepsilon}^T \mid \mathbf{X}\right]\right) \\ &= \|\mathbf{v}\|^2 + \sigma^2\,\text{tr}\left(M^TM\right). \qquad \blacksquare \end{align*}\]
Teorema 3 (\(C_p\) de Mallows, Mallows (1973)). Seja
\[\hat{C}_p = \frac{1}{n}\|\mathbf{Y} - \mathbf{L}\mathbf{Y}\|^2 + \frac{2\sigma^2\nu}{n}.\]
Então \(\mathbb{E}[\hat{C}_p \mid \mathbf{X}] = \mathcal{R}_n + \sigma^2\).
Prova. Como \(\mathbf{Y} = \mathbf{r} + \boldsymbol{\varepsilon}\), \(\mathbf{Y} - \mathbf{L}\mathbf{Y} = (I - \mathbf{L})\mathbf{r} + (I - \mathbf{L})\boldsymbol{\varepsilon}\) e \(\hat{\mathbf{r}} - \mathbf{r} = (\mathbf{L} - I)\mathbf{r} + \mathbf{L}\boldsymbol{\varepsilon}\). Pelo Lema 5, aplicado duas vezes,
\[\begin{align*} \mathbb{E}\left[\|\mathbf{Y} - \mathbf{L}\mathbf{Y}\|^2 \mid \mathbf{X}\right] &= \|(I - \mathbf{L})\mathbf{r}\|^2 + \sigma^2\,\text{tr}\left((I - \mathbf{L})^T(I - \mathbf{L})\right) \\ &= \|(\mathbf{L} - I)\mathbf{r}\|^2 + \sigma^2\left(n - 2\nu + \text{tr}\left(\mathbf{L}^T\mathbf{L}\right)\right) \\ &= \mathbb{E}\left[\|\hat{\mathbf{r}} - \mathbf{r}\|^2 \mid \mathbf{X}\right] + \sigma^2(n - 2\nu). \end{align*}\]
Dividindo por \(n\) e somando \(2\sigma^2\nu/n\), obtém-se o resultado. \(\blacksquare\)
Observação. Como \(\sigma^2\) não depende de \(h\), minimizar \(\mathbb{E}[\hat{C}_p \mid \mathbf{X}]\) em \(h\) equivale a minimizar \(\mathcal{R}_n\), assim como, na Aula 8, o termo \(\int f^2\) não afetava a escolha de \(h\). O erro quadrático médio dos resíduos, \(n^{-1}\|\mathbf{Y} - \mathbf{L}\mathbf{Y}\|^2\), subestima o risco, e \(2\sigma^2\nu/n\) é a correção: quanto mais complexo o smoother, maior a penalidade. Na prática, \(\sigma^2\) é substituído por um estimador (Exercício 5).
Inferência
Corolário 3 (Intervalo para a média suavizada). Suponha que, condicionalmente a \(X_1, \ldots, X_n\), os erros são i.i.d. \(N(0, \sigma^2)\), e seja \(z_{\alpha}\) o quantil \(1 - \alpha/2\) da normal padrão. Então
\[\mathbb{P}\left(\left|\hat{r}_n(x) - \mathbb{E}[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}]\right| \leq z_{\alpha}\,\sigma\|\ell(x)\| \,\Big|\, \mathbf{X}\right) = 1 - \alpha.\]
Prova. Condicionalmente, \(\hat{r}_n(x) = \sum_i\ell_i(x)Y_i\) é uma combinação linear de normais independentes e, pelo Lema 1, tem distribuição \(N(\mathbb{E}[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}], \sigma^2\|\ell(x)\|^2)\). \(\blacksquare\)
Observação (Viés e subsuavização). O intervalo do Corolário 3 é centrado em \(\mathbb{E}[\hat{r}_n(x) \mid \mathbf{X}]\), e não em \(r(x)\). Sob (A2), por (P1), (P2) e a desigualdade de Cauchy-Schwarz, se \(\sum_i\mathbb{I}(|X_i - x| \leq h) \leq a_0nh\), então
\[1 = \left(\sum_{i=1}^{n}\ell_i(x)\right)^2 \leq a_0nh\,\|\ell(x)\|^2,\]
de modo que o desvio padrão é pelo menos \(\sigma(a_0nh)^{-1/2}\). Pelo Teorema 1, a razão entre viés e desvio padrão é no máximo \(C\sqrt{nh^{2\beta+1}}\). Com a banda ótima \(h \asymp n^{-1/(2\beta+1)}\), essa razão é de ordem constante e o intervalo pode não cobrir \(r(x)\) com a probabilidade nominal. Tomando \(h\) tal que \(nh^{2\beta+1} \to 0\) (subsuavização), o viés torna-se desprezível em relação ao desvio padrão, ao custo de intervalos mais largos.
Limitações
Observação (Banda escolhida pelos dados). Os resultados desta aula supõem \(h\) fixo. Se \(h\) é escolhido por validação cruzada ou por \(\hat{C}_p\), a banda depende de \(\mathbf{Y}\), e o estimador final deixa de ser um linear smoother. O Teorema 1 vale para cada \(h\) fixo, mas não se aplica diretamente ao estimador com banda escolhida.
Observação (Otimalidade). Nas classes de Hölder, a taxa \(n^{-2\beta/(2\beta+1)}\) do Teorema 1 é a taxa minimax, como será visto nas aulas sobre cotas inferiores. Contudo, existem classes de funções com suavidade espacialmente heterogênea, como bolas em espaços de Besov \(B^s_{p,q}\) com \(p < 2\), nas quais nenhum estimador linear atinge a taxa minimax, enquanto estimadores não lineares, como wavelets com thresholding, a atingem (Donoho and Johnstone 1998). Os linear smoothers usam a mesma quantidade de suavização em todo o domínio, o que é inadequado quando \(r\) é suave em algumas regiões e irregular em outras.
Exercícios
Exercício 1 (Exclusão na regressão polinomial local)
Considere a regressão polinomial local de grau \(q\) avaliada em \(x = X_i\), com \(A = \mathbb{X}_x^TW_x\mathbb{X}_x\).
Mostre que \(z_x(x) = e_1\) e que, retirando a observação \(i\), a matriz \(A\) passa a ser \(A - vv^T\) com \(v = K(0)^{1/2}e_1\).
Mostre que \(\mathbf{L}_{ii} = K(0)\,e_1^TA^{-1}e_1\) e, usando o Lema 4, conclua que a fórmula do Teorema 2 vale para a regressão polinomial local.
Exercício 2 (Regressão linear penalizada e processos gaussianos)
Para a regressão linear penalizada do Exemplo 1 da Aula 9, mostre que \(\mathbf{L} = \mathbb{X}(\mathbb{X}^T\mathbb{X} + \lambda I)^{-1}\mathbb{X}^T\). Sendo \(d_1, \ldots, d_p\) os valores singulares de \(\mathbb{X}\), mostre que \(\nu = \sum_{j=1}^{p}d_j^2/(d_j^2 + \lambda)\) e que \(\nu\) decresce de \(p\) a \(0\) quando \(\lambda\) cresce de \(0\) a \(\infty\).
Adapte a prova do Teorema 2 (b) e mostre que a fórmula de exclusão vale para a regressão linear penalizada.
Para a média a posteriori do Exemplo 7 da Aula 9, mostre que \(\mathbf{L} = \mathbf{C}(\mathbf{C} + \sigma^2I)^{-1} = I - \sigma^2(\mathbf{C} + \sigma^2I)^{-1}\) e conclua que a fórmula de exclusão também vale.
Exercício 3 (\(k\)-NN e validação cruzada)
Suponha \(X_1, \ldots, X_n\) distintos e \(k \geq 2\).
Mostre que \(\mathbf{L}_{ii} = k^{-1}\) e que \(\sum_{j \neq i}\ell_j(X_i)Y_j/(1 - \mathbf{L}_{ii})\) é a média das respostas dos \(k-1\) vizinhos mais próximos de \(X_i\) entre as demais observações.
Mostre que \(\hat{r}_{-i}(X_i)\), calculado com o \(k\)-NN na amostra sem a observação \(i\), é a média das respostas dos \(k\) vizinhos mais próximos de \(X_i\) entre as demais observações. Conclua que a fórmula do Teorema 2 não calcula o CV do \(k\)-NN, mas o do \((k-1)\)-NN.
Exercício 4 (Kernel equivalente)
Mostre que, para \(q = 0\), \(K^* = K\).
Mostre que, se \(K\) é simétrico e \(q = 1\), então \(\mathbf{B}\) é diagonal e \(K^* = K\).
Sejam \(K\) simétrico, \(q = 2\) e \(\kappa_j = \int u^jK(u)\,du\). Mostre que
\[K^*(u) = \frac{\kappa_4 - \kappa_2u^2}{\kappa_4 - \kappa_2^2}K(u).\]
- Para o kernel gaussiano, compare o resultado de (c) com o kernel do Exercício 3 da Aula 7. Mostre que, se \(K\) é simétrico, \(K^*\) com \(q = 2\) tem ordem \(3\), e não apenas \(2\).
Exercício 5 (Estimação da variância)
- Usando a prova do Teorema 3, mostre que
\[\mathbb{E}\left[\frac{\|\mathbf{Y} - \mathbf{L}\mathbf{Y}\|^2} {n - 2\nu + \text{tr}(\mathbf{L}^T\mathbf{L})} \mid \mathbf{X}\right] = \sigma^2 + \frac{\|(I - \mathbf{L})\mathbf{r}\|^2} {n - 2\nu + \text{tr}(\mathbf{L}^T\mathbf{L})}.\]
Verifique que, na regressão linear, o denominador é \(n - p\) e o estimador é não-viesado se o modelo linear está correto.
Sob as hipóteses do Teorema 1 com \(h \to 0\) e \(nh \to \infty\), argumente que o viés deste estimador de \(\sigma^2\) tende a zero.